quinta-feira, 28 de maio de 2009

Amigas de longa data

Logo que comecei a escrever este blog, em novembro do ano passado, recebi um e-mail da minha amiga Márcia Andréa. Gostei tanto do que ela escreveu que resolvi publicar aqui. Tantas coisas aconteceram que acabei esquecendo e ficou apenas na intenção... Publico o e-mail dela abaixo. E, registro também uma foto atual, ao lado da Adriana (ao centro), outra amiga muito especial. No primário..... ops... ensino fundamental, éramos conhecidas como as "Três Marias".



De: "Márcia Andréa"
Para: "Juliana Parlato"
Cc:
Data: Sat, 29 Nov 2008 00:14:46 -0200
Assunto: RES: o blog da ju

Oi Jú,

Tudo bem?
Que coisa linda o seu blog.
Adorei a introdução sobre a viagem à Itália, adorei a fotos do seus pais e o texto sobre ele. Me deu um aperto no coração, pois lembrei exatamente de nós duas naquela idade e de como o tempo não pára. Corre, corre, escorre pelas nossas mãos. O bom é que podemos lembrar com certo saudosismo o que passou, ótimos tempos de uma infância bem vivida em todos os sentidos. Fico feliz de lembrar que eu ali naquela foto já fazia parte da sua vida e fico ainda mais feliz de que hoje, passados 27 anos,você ainda faz parte da minha vida ... e fará para sempre!

Te adoro minha amiga!
Sorte no seu lindo blog!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Música boa para ouvir

Conviver com pessoas que tocam instrumentos é muito bom. Mas, também cria uma certa expectativa de que você tem que seguir pelo mesmo caminho. Minha mãe tocava piano desde jovem e trouxe o gosto pela música para os filhos.

Em casa havia um piano e um dos irmãos, o do meio, tocava desde pequeno. Ele tinha até participado de algumas apresentações, com louvor, como se dizia na época. O outro irmão, o mais velho, não era chegado em piano, mas tocava bateria. Depois, foi aprender a ler partituras e tudo o mais. E, os dois tocavam violão.

Como filha caçula, via toda aquela movimentação e também queria tocar alguma coisa. Aos 7 fui aprender piano com uma professora que morava no bairro, a Tânia. Ela era bem intencionada, mas não levava jeito para ensinar. Ou talvez, não tivesse jeito com crianças. Ou talvez, não tenha rolado empatia. O fato é que o negócio não progredia. Eu tocava direitinho todas as músicas da partitura mas, quando chegava na clave de Fá... Era um martírio! Como é que aquelas notas tinham ido parar uma oitava acima?

Seria tudo tão mais simples se as notas continuassem na mesma linha, na mesma clave de Sol. Então, a professora tentava me explicar usando a lógica matemática, mas era muito pior. Detestava matemática e entendia menos ainda. Então, íamos para os exercícios de solfejo - técnica em que cantamos os intervalos musicais de acordo com a partitura.

Agora, me diz uma coisa: como é que uma criança de 7 anos vai entender aquilo? Detestava fazer solfejo. Me sentia uma boba cantando as notas e balançando as mãos. Para fugir dos exercícios, escondia o livro de solfejo dentro do vaso de plantas em frente à casa da professora. Com o tempo, falei para mamãe que não queria mais ir às aulas.

Depois, aos 14, lá fui eu de novo tentar aprender piano, ainda mais influenciada pelos irmãos, que ensaiavam com uma banda no quintal de casa. Hamilton, o professor, tocava vários instrumentos e dava aulas para alguns músicos. Ele não me forçava a fazer exercícios de solfejo, mas usava um cronômetro e eu tinha que tocar a música no tempo certo. Mais uma vez empaquei na clave de Fá.

Emerson, outro aluno do professor, fazia aula no horário seguinte mas, chegava mais cedo e ficava assistindo minha aula. Ele tocava violão e guitarra super bem e eu queria me enfiar nas teclas brancas e pretas do piano. Nem preciso contar o resto, não é?

Desisti de aprender o instrumento e resolvi ser apenas ouvinte, espectadora e apreciadora de uma boa música. Os irmãos tocam apenas de vez em quando e, para minha mãe tocar algo no piano, precisamos suplicar. E, sempre que posso, vou aos shows do Funk Como Le Gusta para escutar o Emerson tocando.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A metade da laranja

Neste domingo, o Parque do Ibirapuera foi palco de uma manifestação, no mínimo, curiosa: a passeata dos Sem Namorado (!). Não fui ao evento, mas li algumas matérias e cheguei à seguinte conclusão: os homens brasileiros, disponíveis e com H MAIÚSCULO, realmente, estão em extinção.

É praticamente inacreditável que garotas/mulheres tão bonitas quanto as que saíram nas fotos para ilustrar as matérias estejam sozinhas, ou melhor, sem namorados, há um, dois, três anos... Tinha até mesmo uma garota de 23 anos que, pasmem, nunca namorou (!).

Sinceramente, fiquei de boca aberta e convencida de que, como eu, muitas mulheres estão à procura da tampa da panela, da metade da laranja, ou o que o valha. Ao mesmo tempo, parece que isso, essa ausência de relacionamentos duráveis e bons, é um momento bem brasileiro. Duvido que na Itália, ou na Espanha, garotas tão bonitas – estou me incluindo - ficassem tanto tempo sem encontrar alguém legal para chamar de seu.

Apenas para ilustrar este ponto de vista, conto um pequeno fato: passeando pelas (lindas!) ruas de Florença entrei em uma loja e, ao me ver entrando, o gerente – talvez fosse o dono, exclamou: “Sei brasiliana!” (É brasileira!). Sim, respondi. Papo vai, papo vem, em questão de menos de meia hora ele me chamou para sair!

Nem sei por que não aceitei o convite do bello ragazzo. Davide era lindo, simpaticíssimo e ainda me ofereceu desconto em uma jaqueta de couro super bonita. Mas, fiquei com o pé atrás... Ouvimos tantas histórias escabrosas, de homens que matam mulheres e jogam seus corpos em latões de lixo, que fiquei receosa de aceitar o convite. Tudo bem, tudo bem.... Foi uma burrice, mas ele me pegou de surpresa.

Mas, o que quero colocar aqui é a seguinte questão: quando, aqui no Brasil, um vendedor/gerente/dono de loja vai convidar uma garota que nem conhece para sair em menos de 30 minutos???? Recebe um doce quem acertar. A probabilidade de isso acontecer é bem próxima ao zeeeeeeeeeeeeeeeeeeero.

Ou seja, os homens brasileiros estão marcando toca, dando bobeira. Onde está a tão famosa virilidade dos brasileiros? Acho que a maioria resolveu sair do armário ao mesmo tempo e não sobrou nenhum para contar história.

Enquanto isso, aproveito a companhia do meu cachorro Frederico, que é um amor, me entende e não troca o canal da televisão a toda hora.